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A mostrar mensagens de dezembro, 2025

XX - VINTE anos

  Em 2006, há quase vinte anos, foi a minha primeira experiência no Blogger, já não era um neófito, começara antes com outro blogue em outra plataforma, o Myspace, onde se trabalhava imenso para fazer coisas que depois nos eram oferecidas, trabalhava-se com html para configurar o aspeto e as pequenas surpresas de cada publicação, cheguei a experimentar publicar um texto com o fundo em amarelo (horrível) ou as letras em roxo e verde, só para me congratular intimamente por ter conseguido chegar a esses resultados parvos com o meu uso do código do blogue. No Blogger tudo era mais fácil, intuitivo, como eles diziam, ou facilitivo de tão pouco desafiante que se tornara, era só escrever e publicar, quando notávamos imperfeições (e eram muitas), voltava-se atrás, corrigia-se, e o bebé trôpego e disforme voltava a sair do ventre da mãe com uma deficiência a menos, menos horroroso ao olhar sensível e traumatizado dos transeuntes. Em 2006, os blogues ainda tinham as velas enfunadas, parecia ...
  No dia em que o confinamento acabou, as pessoas saíram de casa. Mas não estavam livres. Tinham sacrificado essa liberdade à experiência insólita e avassaladora de se sentirem sós, aprisionados e engavetados. A partir de então, a liberdade tomou-se a sorvos, breves e episódicos. Sair para voltar, experimentar a embriaguez da vastidão para logo se regressar à casa de porta trancada, ao quarto diminuído por um roupeiro oblíquo atravessado no espaço, à sala de persianas corridas onde as pupilas espreitam a medo o pequeno varandim deserto e os varandins e varandas de outras casas e prédios onde outras pessoas diminuídas também espreitam, perscrutam e interrogam com medo, pavor autêntico, que alguém lhes responda. Quando as pessoas saíram de casa, o mundo exterior fora-lhes roubado, não lhes pertencia.